segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Entrevista com a Escritora Márcia Albuq

Que tal viver uma vida de cigano? Conhecer seus costumes, passear pelo mundo? Faça parte dessa emoção com a autora do livro Comprometida, Márcia Albuq. 


Os ciganos são prometidos pelos pais para casarem ainda quando jovens?
Para escrever sobre os ciganos, pesquisei muito sobre eles e particularmente me encantei. Em todo material que encontrava era uma constante as tradições. Eles são extremamente tradicionais e fiéis às crenças. De acordo com pesquisas, o casamento é uma forte tradição entre os ciganos, porque além de representar laços entre os povos, é a continuidade da comunidade, por isso que não é permitido o casamento entre ciganos e não ciganos. A menina desde criança costuma ser prometida em casamento e os acertos são feitos entre os pais que desejam unir as famílias. Antes do casamento oficial os noivos não devem ter intimidade alguma. Atualmente, apesar de estarmos num tempo tão moderno, para muitas comunidades ciganas a virgindade da noiva ainda é exigida e caso ela não seja virgem, ela pode ser devolvida aos pais que devem pagar uma indenização aos pais do noivo.  







Como surgiu a ideia do livro Comprometida?

"Comprometida" é uma história de amor num contexto diferente do que estamos acostumados. Trata-se de uma história contada através de uma maldição de uma cigana chamada Salomé. Nesse primeiro livro a protagonista é Luna, uma cigana jovem e bonita. Ela foi prometida em casamento ainda criança, mas se apaixona perdidamente por Pierre. A história se desenrola com esse encontro apaixonante, dentro de um cenário praieiro. “Comprometida” tem um tantinho de tudo: simplicidade, respeito, tradições, conhecimentos, mistérios, paixão, feitiços, realidade e fantasia, mas, particularmente tem muito da minha formação.  Eu sou formada em História que é um curso apaixonante. As comunidades ciganas sempre me despertaram curiosidade pelo mistério, pelo desapego, pela maneira que vivem, mas sempre me inquietou o preconceito que foi criado em torno deste povo. Então, a idéia surgiu depois que eu criei Luna como filha de homem vitimado de uma maldição. A partir daí percebi que ela não poderia ser uma simples protagonista, exigia mais vida, impulso, charme e aí eu vi que ela só poderia ser uma cigana. A maldição estava escrita, fui construindo os aspectos físicos, cenários e tudo mais. Até ele ficar pronto e tomar vida.

 Luna se apaixona por um olhar misterioso... Esse homem é cigano também?
Luna se apaixonou por um olhar misterioso, um olhar da cor do mar. Ela se apaixonou por um rapaz que morava na cidade que a comunidade dela parou para descansar por uns dias. Ele tocava instrumentos e morava numa casa enorme, completamente diferente da vida simples que ela conhecia. Se ele é cigano ou não, aí deixo para os leitores descobrirem. Só adianto uma coisa: ele é lindo de morrer! rsrsrsrs
  
Quebrar um acordo, como outro qualquer, além de perder a credibilidade entre as partes, Luna corre o risco de ser amaldiçoada, ou já está envolvida em alguma maldição?
Quebrar um acordo de casamento entre ciganos é muito complexo para ambas as partes, porque tem o lance da palavra, da confiança e do respeito. Luna é fruto de uma geração amaldiçoada, mas suas atitudes podem agravar ainda mais a situação. Ela está completamente envolvida na maldição, embora no inicio ela não tenha noção de tudo o que está acontecendo a sua volta.

Fale-nos um pouco sobre essa trilogia que já despertou minha curiosidade.
Que bom que te despertou curiosidade. Acho isso ótimo! Rsrsrsrs
Bem, boa parte dos detalhes das comunidades ciganas contidas no livro foi proveniente de pesquisa, mas deixo claro, a história da “Maldição de Salomé” é uma ficção. Neste sentido, essa maldição, não diferente do que diz a palavra, é uma praga, e dessa praga vem um carma, ou seja, gerações futuras sujeitas a maldições, coisas terríveis como mortes, sofrimentos, fome, doenças, uma série de coisas do mal acontecem entre os dois povos. Essa Maldição é fruto de acordos desfeitos, de desonra, mas principalmente, por não mandarmos em nossos corações. Não temos como controlar sentimentos. A gente se apaixona sem saber como, quando e por quem, ela simplesmente acontece.
“Comprometida”, o primeiro livro, tem o primeiro capítulo de “Indomável” que é o segundo livro. São no total de três que significam as três últimas gerações amaldiçoadas. Cada geração vem mais forte e com seus dons mais apurados. É uma luta do bem contra o mal, dentro de uma realidade comum, cotidiana, como se estivesse acontecendo diante dos nossos olhos e não conseguíssemos ver.

Em que você encontrou inspiração para escrever Comprometida?
Tudo me inspira! Pessoas, lugares, músicas, histórias, filmes, acho que vivemos num mundo repleto de ganchos de inspiração, mas a inspiração de “Comprometida” vem do mistério, da inocência. As histórias e personagens chegam, eles desejam que você dê vida a eles. Vem de dilemas tão simples e ao mesmo tempo tão sérios como a paixão proibida que Luna deseja viver a todo custo.
  
Deixe um recadinho para os escritores iniciantes.
Não desista! Não desista em hipótese nenhuma. Pare, pense, reflita, amadureça suas idéias, mas não desista. Costumo dizer que “desistir não é para quem cria sonhos como os autores”. Somos responsáveis por essa magia encantadora que é a criação de mundos imaginários. Obstáculo sempre vai existir em qualquer caminho que optarmos, o importante é continuar passo a passo na estrada desviando dos buracos e guardando as pedras no caminho para construir um castelo, afinal, não é isso que fazemos? Construímos mundos mágicos!

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